domingo, 30 de março de 2014

INTIMIDAÇÃO - Art.147, CP




            O casamento foi celebrado com muita pompa, juras de amor que antes eram normais, tornaram-se abundantes. Planos para o futuro e promessas de amor eterno. Durante os primeiros meses de casados planos mirabolantes estavam sendo colocadas em prática, promoções no trabalho, novos desafios e logo três filhos vieram completar o cenário de felicidade. 
            Klécio era um pai amoroso. Márcia formara-se em Direito e além de trabalhar dignamente num escritório, controlava todos os afazeres do lar, mas uma crise no mercado financeiro deixou Klécio desempregado. O tempo passou e ele não conseguia se realocar no mercado de trabalho. Sentia-se deprimido e seu comportamento começou a mudar. Tornou-se impaciente e violento. Márcia começou a notar manchas no corpo dos filhos, questionava, mas os meninos diziam que haviam caído. Perguntava ao marido sobre as manchas dos meninos e ele sempre tinha uma boa desculpa.
            Certa noite antecipou sua chegada em casa e encontrou seu marido transtornado. Os meninos estavam chorando, antes mesmo de falar qualquer coisa recebeu diversas bofetadas. Klécio era forte, e ela não teve chance para se defender. Depois que a raiva passou Klécio pediu mil desculpas.
            Márcia jurou a si mesma que não permitiria que as agressões continuassem e garantiu que não mais aconteceria. No dia seguinte não foi trabalhar. Saiu cedo para fazer compras. Preparou excelentes pratos para o almoço. Colocou seus filhos estrategicamente sentados a mesa e Klécio sentou-se ao seu lado. Márcia os serviu e o tratou como se nada tivesse acontecido.
            Klécio estava sem jeito, não conseguia olhar em seus olhos. Quando ele ia dar a primeira garfada ela comentou:
            - Você não vai acreditar Klécio, encontrei um rato rodando nossa cozinha, aproveitei minha ida ao supermercado e comprei isto aqui, veneno de rato, o vendedor disse que uma pequena porção é o suficiente para exterminá-lo. Olhou bem dentro dos olhos dele e continuou.
            - Eu não posso deixar que  um rato venha colocar em risco a felicidade de nossa família, você não acha?
            Klécio arregalou os olhos e não teve coragem de argumentar. Pegou o garfo com alimento e deu para seu filho experimentar. Não vendo nenhuma reação por parte de Márcia, alimentou-se. Passou a controlar seus ímpetos, arrumou um novo emprego e voltaram a viver com certa harmonia, apesar de conviver sempre com a desconfiança que poderia ser envenenado. E para se assegurar fazia os filhos comerem primeiro.














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