O casamento foi celebrado com muita
pompa, juras de amor que antes eram normais, tornaram-se abundantes. Planos
para o futuro e promessas de amor eterno. Durante os primeiros meses de casados
planos mirabolantes estavam sendo colocadas em prática, promoções no trabalho,
novos desafios e logo três filhos vieram completar o cenário de
felicidade.
Klécio era um pai amoroso. Márcia
formara-se em Direito e além de trabalhar dignamente num escritório, controlava
todos os afazeres do lar, mas uma crise no mercado financeiro deixou Klécio desempregado.
O tempo passou e ele não conseguia se realocar no mercado de trabalho.
Sentia-se deprimido e seu comportamento começou a mudar. Tornou-se impaciente e
violento. Márcia começou a notar manchas no corpo dos filhos, questionava, mas
os meninos diziam que haviam caído. Perguntava ao marido sobre as manchas dos
meninos e ele sempre tinha uma boa desculpa.
Certa noite antecipou sua chegada em
casa e encontrou seu marido transtornado. Os meninos estavam chorando, antes
mesmo de falar qualquer coisa recebeu diversas bofetadas. Klécio era forte, e
ela não teve chance para se defender. Depois que a raiva passou Klécio pediu
mil desculpas.
Márcia jurou a si mesma que não
permitiria que as agressões continuassem e garantiu que não mais aconteceria.
No dia seguinte não foi trabalhar. Saiu cedo para fazer compras. Preparou
excelentes pratos para o almoço. Colocou seus filhos estrategicamente sentados
a mesa e Klécio sentou-se ao seu lado. Márcia os serviu e o tratou como se nada
tivesse acontecido.
Klécio estava sem jeito, não
conseguia olhar em seus olhos. Quando ele ia dar a primeira garfada ela
comentou:
- Você não vai acreditar Klécio,
encontrei um rato rodando nossa cozinha, aproveitei minha ida ao supermercado e
comprei isto aqui, veneno de rato, o vendedor disse que uma pequena porção é o
suficiente para exterminá-lo. Olhou bem dentro dos olhos dele e continuou.
- Eu não posso deixar que um
rato venha colocar em risco a felicidade de nossa família, você não acha?
Klécio arregalou os olhos e não teve
coragem de argumentar. Pegou o garfo com alimento e deu para seu filho
experimentar. Não vendo nenhuma reação por parte de Márcia, alimentou-se. Passou
a controlar seus ímpetos, arrumou um novo emprego e voltaram a viver com certa
harmonia, apesar de conviver sempre com a desconfiança que poderia ser
envenenado. E para se assegurar fazia os filhos comerem primeiro.
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